Vereador muda nome de creche ‘Arco-Íris’ alegando ‘promoção do homossexualismo’

Do ponto de vista cristão, o arco-íris foi criado por Deus como lembrança da aliança que firmou com os seres da Terra. Bonita a imagem, não é? Olha só este trecho de Gênesis, 9:13-15:

“Porei nas nuvens o meu arco; será para sinal da aliança entre mim e a terra. Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o meu arco, então, me lembrarei da minha aliança firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne.”

As traduções mais recentes da Bíblia Sagrada para o português já incluem a palavra “arco-íris” no lugar de “arco”, em nome da precisão.

Daí, ainda sob o ponto de vista cristão, imagina que lindo dar o nome de Arco-Íris – o símbolo da ligação entre Deus e os seres vivos – a uma creche, onde as crianças dão os primeiros passos na educação formal. Foi exatamente o nome escolhido pela comunidade da Arse 102, em Palmas, no Tocantins, para uma creche municipal que será construída no local: Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Arco-Íris.

Até que o vereador Filipe Martins, político do Partido Social Cristão (PSC) e membro da Assembléia de Deus Campos Nação Madureira, propôs uma emenda modificativa ao Projeto de Lei nº 26, de 30 de abril de 2017, para mudar o nome da creche. Alegou que o “Arco-Íris” era usado para a “promoção do homossexualismo”.

E… conseguiu. A emenda foi aprovada e sancionada sem restrições pela prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB). O novo nome da creche é Romilda Budke Guarda, uma “pioneira de Palmas”, líder comunitária que teve uma vida “pautada na moralidade, na ética e no altruísmo”. Nada contra a senhora Romilda, mas… “promoção do homossexualismo”?

O que o vereador cristão Filipe Martins levou em conta muito antes da própria Bíblia Sagrada foi o fato de que, em 1978, as cores do arco-íris inspiraram o americano Gilbert Baker na criação da bandeira que hoje representa a luta da comunidade LGBT. “Decidi que tínhamos de ter uma bandeira, que uma bandeira nos encaixasse em um símbolo, o de que somos pessoas, um tribo”, disse Baker em entrevista ao Museu de Arte Moderna de Nova York, que incluiu a bandeira original em seu acervo como um “poderoso marco histórico do design”.

Na semana passada, infelizmente, o arco-íris não representou a aliança de Deus com os seres vivos, sequer representou a luta pela vida e pela dignidade da comunidade LGBT. Em Palmas, no Tocantins, representou o atraso e a perniciosa ligação indistinta entre política e religião. Mais uma vez, nada contra dona Romilda, que deve mesmo ter sido uma grande pessoa.

Sugestão dos leitores André Luís de Barros, Wellington Morais e Jesuino Santana