Militar transexual diz que foi salva pelo Bitcoin

Você deve conhecer o Reddit, a rede social de informação em que as histórias ganham popularidade por voto dos usuários. Uma das que teve mais “joinhas” no fim de semana passado foi o relato da militar transexual Katie Charm sobre os percalços de quem precisa fazer terapia hormonal para a transição e dá de cara com uma parede de burocracia estatal e desconhecimento. E o papel fundamental do Bitcoin – sim, a criptomoeda, tão aclamada como investimento financeiro – nesse processo.

Katie sabia há muito tempo que era uma mulher no corpo de um homem, mas só falou sobre isso abertamente pela primeira vez em 2016, dentro das Forças Armadas, para finalmente descobrir que ela conhecia muito mais sobre o assunto do que os médicos que deveriam ser responsáveis por sua terapia hormonal. “Posso te garantir, é um inferno assumir sua identidade de gênero e finalmente aceitar isto… Apenas para descobrir que você terá que continuar sofrendo com os hormônios errados por causa da burocracia”, escreveu Katie.

No fim de 2016, já sofrendo psicologicamente e tendo dificuldades no trabalho, ela decidiu que não passaria 2017 sem iniciar seu tratamento e resolveu tomar para si as rédeas do processo. Já havia estudado muito a respeito da terapia hormonal, principalmente com a ajuda da comunidade trans do Reddit. Foi através dessa comunidade que soube de uma farmácia virtual na Europa que vendia a medicação necessária.

Mas comprar medicamentos por conta própria, além de errado, é quase impossível nos Estados Unidos. A farmácia européia tinha quase todos os métodos de pagamento bloqueados – “PayPal, Visa, bancos etc”. Todos menos um: o Bitcoin. “No começo de dezembro de 2016 minhas mãos estavam tremendo quando transferi os bitcoins para eles e o pedido foi confirmado”, afirma Katie em seu relato. “Em cerca de uma semana ela chegou: minha primeira dose.”

A transição de Katie Charm começou no dia 12 de dezembro de 2016. “Os militares ficaram furiosos quando descobriram, mas eu fui firme na defesa do que havia feito. Se os militares não queriam prover o que eu precisava para a condição que eles mesmos diagnosticaram, então eu tive o direito de cuidar da minha saúde por conta própria”, escreveu Katie. Segundo ela, o procedimento que assumiu por conta própria estava correto. Ainda bem. “Só seis meses depois eles finalmente começaram a agir e me indicaram um endocrinologista… que simplesmente validou o que eu já estava fazendo. Eu não teria sanidade suficiente para esperar por hormônios à toa por seis meses.”