‘Se eu quisesse largar um teco nele agora…’, diz suspeito que observa PM na Cidade de Deus

Um vídeo gravado na última quarta-feira, dia 24, e divulgado ontem pelo G1, mostra a situação de total vulnerabilidade de um policial que participava de uma operação contra o tráfico de drogas na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Por uma frestinha de uma casa, um homem ligado ao tráfico de drogas observa um policial deitado com um fuzil durante uma operação de combate ao tráfico de drogas. Tratava-se de uma operação da polícia depois que bandidos atacaram PMs da UPP da Cidade de Deus durante uma ronda na localidade conhecida como Caretê.

O bandido está a metros do policial, e realmente poderia matá-lo com um tiro, como diz. “Descansou… Endireitou o fuzil… Se eu quisesse largar um teco nele aqui, agora?” A resposta a essa pergunta é: “Dessa distância, você provavelmente acertaria em cheio”. E mais um policial entraria para as estatísticas de policiais mortos.

Ele também identifica outro policial próximo dali. E se esse outro policial reagisse? Provavelmente foi por isso que ele não atirou, porque o outro policial teria totais condições de matá-lo. E seria mais um bandido para as estatísticas dos chamados autos de resistência, quando um policial mata um suspeito por legítima defesa.

Eu não precisaria escrever estes últimos parágrafos, mas acho importantíssimo dizer que o número de autos de resistência e de policiais mortos só estão subindo no Rio de Janeiro. Cada vez mais cadáveres. E é um ciclo de crescimento que dura, pelo menos, 40 anos, com uma rápida desaceleração na época de ouro das UPPs, projeto de sucesso que falhou porque o Estado não entrou nas comunidades pobres com mais do que a polícia. Não fomentou a economia local, não estabeleceu creches e escolas, não investiu na polícia comunitária…

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São muitos os equívocos. E nem estou falando da necessidade de discutir o problema das drogas como de saúde, e não de polícia. Se você acha que matar traficantes de drogas às toneladas resolve o problema, ESTÁ ACHANDO ERRADO, OTÁRIO!

Ok… Desculpa… Estou assistindo muito Choque de Cultura, eu sei… Mas só o que essa ideia causa é mais policiais mortos! Quarenta anos de dados (só no Rio de Janeiro…) e você não percebe? Isso serve apenas para vender balas e armas, acobertar os verdadeiros traficantes de drogas e – SURPRESA! – eleger políticos que dizem que a solução é simples assim, quando todos os números mostram o contrário. Se o problema fosse simples, já estaria resolvido.

Nesta mesma operação, um homem foi morto e uma pistola foi apreendida. Mais um cadáver para amontoar nesse ciclo vicioso, e não estou falando de dependência química.