Após chacina no Mato Grosso, coveiro antecipa abertura de covas para não ‘atrapalhar o trabalho’

Valdinei Carço trabalha como coveiro em um cemitério de Colniza, cidade do Mato Grosso. No último dia 19 de abril, foi obrigado a abrir às pressas cinco novas covas, número incomum em seu cotidiano. O motivo foi a chacina no distrito de Taquaruçu do Norte que deixou nove mortos, resultado de uma sangrenta disputa de terras ainda em curso na região.

“Tinha gente demais, até atrapalhava o trabalho”, disse Carço à equipe da Repórter Brasil. A entrevista foi dada enquanto ele cavava covas extras por antecipação, para não ter que lidar com o “imprevisto” da última chacina. Buracos abertos à espera de mortos que ainda não existem. Carço aproveitou um dia sem velórios ou enterros para se antecipar à próxima chacina.

“A violência impera em Colniza”, afirmou Cristiano Cabral, coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra. “Ali tudo gira em torno dos conflitos agrários, que envolvem trabalhadores, grileiros, fazendeiros, empresários, milícias e políticos.”