Padre assassinado pediu perdão para assassino 20 anos antes em carta

“Eu peço que a pessoa considerada culpada do meu assassinato não seja submetida à pena de morte em nenhuma circunstância”, escreveu o padre franciscano americano Rene Robert em 1995, em uma carta considerada pela Igreja Católica como uma “declaração de vida”, testemunhada e registrada em cartório há época. Ele pediu também que a vida de seu assassino fosse poupada “não importa quão hediondo tenha sido o crime ou o quanto eu possa ter sofrido”.

Eis que, no ano passado, o já reverendo Robert, com 71 anos, enquanto vivia na cidade de Saint Augustine, na Flórida, Estados Unidos, foi brutalmente assassinado depois de um sequestro. Segundo a BBC, seu corpo foi encontrado no estado da Geórgia crivado de balas sete dias depois do crime. Seu assassino, Steven James Murray, foi condenado à morte por sequestrar e matar o padre. As autoridades afirmam que Robert havia tentado ajudar Murray por vários meses. Hoje, bispos católicos estão tentando usar a carta para mudar a pena de morte de Murray.

Parte da justificativa dos bispos é que a missão de vida do padre Robert foi ajudar os mais vulneráveis, como condenados, viciados em drogas e pessoas com problemas mentais. “Nós queremos ser a voz dele e fazer com que a sua ‘declaração de vida’ seja levada em consideração neste caso específico”, disse o bispo Gregory Hartmayer, um dos que estavam na frente do Tribunal da Geórgia protestando contra a condenação, com 7,4 mil assinaturas pedindo para que a vontade do padre Robert fosse respeitada. Murray, o assassino, tem 28 anos e esteve preso várias vezes desde a adolescência. “Tenho problemas mentais e perdi o controle. Peço desculpas”, disse Murray, segundo o noticiário local.