Dono de empresa que fez ciclovia que caiu reclamou há um mês de obras sem planejamento

Uma ciclovia ruiu no litoral do Rio de Janeiro e deixou dois mortos por claramente não estar pronta para aguentar o impacto das ondas do mar, um problema básico de planejamento na obra, realizada pela empresa Concremat. A notícia já é surrealista em si. Mas, é claro, teve mais. Cerca de um mês antes da tragédia, o presidente da Concremat, Mauro Viegas Filho, publicou um artigo no jornal O Globo reclamando justamente de obras sem planejamento. “Falta determinação de que não é possível ter bons projetos de engenharia sem os necessários estudos de viabilidade consistentes e norteados pela boa técnica (…)”, afirmou Viegas Filho.

O engenheiro assinou o artigo como presidente da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia. Em outro trecho, ele destaca a posição da associação, sua posição, quase como se tivesse voltado um mês no tempo para fazer a própria mea culpa: “Essa é a nossa luta, que esbarra nas autoridades apressadas em viabilizar empreendimentos de grande porte rapidamente. Os resultados são conhecidos por todos, com destaque para o RDC (Regime Diferenciado de Contratacões) – que resvala para a irresponsabilidade grave ao contratar obras sem projetos completos de engenharia.” No Brasil, pelo visto, nada é surreal o bastante.

(Sugestão do leitor Leonardo Valença)